SESC Santo André: conversa no rádio

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Nervoso, timidez, suadeiro, “quero sair correndo daqui”, “travei!” essas são algumas coisas que ouvimos dos adolescentes participantes da oficina Rádio Ambiente 21 ao final de uma transmissão de rádio ao vivo.

Tanta tensão é compreensível: no momento da apresentação dos programas é a voz e opinião de cada um deles sendo ouvida por um numero desconhecido de pessoas. É natural dar nervoso na hora de publicizar para o mundo o que se pensa e o que sente. Mas a isso soma-se uma outra preocupação: o formato radiofônico. Além da novidade de se dizer para o mundo, o grupo ainda precisa administrar o programa em si, dar conta de não deixar nenhum silêncio, lembrar da abertura e fechamento, divulgaro blog do projeto, garantir um tom de conversa pra um tipo de programa que dificilmente ele já ouviu antes… Responsabilidade demais pra quem está chegando.

O resultado é um momento muito bacana de conversa descontraída durante a preparação dos programas e essa mesma conversa agora  truncada e visivelmente nervosas durante a apresentação ao vivo.

Percebendo todo esse quadro, o quarto encontro no SESC Santo André propôs uma mudança para o programa de hoje. “E se, no momento do nervoso do ao vivo, o mediador do grupo estiver junto, colaborando pra tranquilizar e pra garantir a conversa?” não tive respostas, mas vi alguns olhinhos brilharem. Foi esse o exercício do dia.

O programa segue sendo feito pelos adolescentes, os temas são definidos por eles, o roteiro é criado por eles, o jeito de fazer a abertura, as perguntas da entrevista, enfim, o programa é deles. Mas todo o processo tem a paticipação de um mediador, uma figura que está presente para garantir a conversa, garantir espaço para a fala de todos ali, para qustionar a escolha de determinado tema ou o jeito de falar um com o outro, trazer alguns conflitos latentes à tona. Por tudo isso, se diferencia do professor: “eu acho que é igual, porque vocês ensinam, igual o professor”, “ah, mas o professor dá lição, escreve um monte na lousa”, “e o professor fala mais do que os alunos, aqui é a gente que fala”. Concluímos, então, por comparação com o professor, que é a referência que eles tem, que o mediador é diferente: por mais que ele ensine conteúdos (a estrutura do rádio, por exemplo), ele faz isso para fortalecer as pessoas para que elas possam criar em seguida e o momento da criação é do grupo, e não do mediador, por mais que ele tenha muita participação nesse processo.

Dois programas foram ao ar. Conversas boas de ouvir! Na conversa final, as carinhas já denunciavam, as palavras só reforçaram: “foi mais tranquilo, a gente não tinha que se preocupar tanto com a ordem das coisas”, “foi menos peso!”. E assim, foi possível ter uma ideia melhor de quem são realmente esses meninos e meninas, aos poucos seu jeito cotidiano vai ficando aparente. Exercício para mais programas!

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