SESC Consolação: ouvir-se

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Hoje aconteceu o terceiro encontro do Projeto Rádio Ambiente 21 no SESC Consolação. Um dia de muita chuva em São Paulo fez com que duas das participantes do grupo não comparecessem. Mas, elas mandaram recado via facebook avisando que estavam online, esperando pelo programa de rádio.

O dia começou com a escuta dos 2 programas de aproximadamente 5 minutos, produzidos na semana anterior, sobre os temas liberdade e produção de rádio com tema livre.

 Como não estamos habituados a ouvir rádio como sinônimo de conversa (no geral, ouvimos música no rádio e um somente um locutor falando o nome delas), muito menos ficar exclusivamente fazendo isso  (geralmente ouvimos rádio fazendo outras coisas ao mesmo tempo) esse momento exigiu uma concentração diferente.
O fato dos ouvintes serem os produtores dos programas que estavam sendo escutados, nesse momento, gerou reações muito interessantes. Primeiro, o contato com a própria voz: a fisionomia deles mudou, mostrando um misto de estranhamento e alegria em ouvir-se. Isso acontece porque o som que ouvimos quando falamos é bem diferente do que os outro escutam e, portanto, do  que fica gravado nos programas de rádio.Em seguida a atenção e os comentários deles se voltaram ao jeito de falar e aos conteúdos do programa:
- Nossa! Falei, falei e não disse nada
- Como eu falo gíria
- Nossa errei tudo naquela hora
- Muito legal isso que você falou
- Errei a concordância verbalEles disseram que foi ” muito legal” ouvir os programas, que eles estavam muito mais soltos e conversando mais do que na primeira produção e destacaram também que se ouvir faz com percebam o jeito que se comunicam.Reforçamos que não é à toa que este Projeto propõe a produção de comunicação. Essa é uma possibilidade de apresentar pensamentos e sentimentos para o mundo e, ao mesmo tempo, ter a possibilidade de se ouvir e nesse sentido, se conhecer mais.
Em seguida, conversamos sobre o papel do mediador na apresentação dos programas ao vivo. Quando perguntamos por que ele entendiam que o mediador tinha participado dos programas, eles disseram que isso era para deixar o programa mais dinâmico e gostoso de ouvir e para não ficar buracos de silêncio. Eles apontaram que os mediadores garantiram que eles se sentissem mais tranquilos e confiantes.Destacamos que o papel do mediador na apresentação ao vivo não é “melhorar a qualidade dos programas” mas fortalecer o objetivo da oficina: garantir um espaço de comunicação para jovens e adolescentes mostrarem o que sentem e pensam sobre o mundo. Pelo nervosismo inicial dos primeiros programas, as falas não ficavam claras, porque a preocupação com o programa era maior com que era dito nele, gerando falas que não expressam realmente o que cada um quer dizer. Nesse sentido, o mediador dá mais segurança para o programa acontecer e mais que isso, por estar no momento de criação do roteiro, ele vai colaborar para relembrar os objetivos do programa.Depois desse papo fomos para a produção: o grupo de 6 participantes se reuniu com a Mariana Kz – mediadora do Projeto Cala-boca já morreu – para criar um programa de rádio, de até 5 minutos, com tema livre.Depois de 1h10 o grupo voltou, com o roteiro pronto, e cheios de energia para apresentar o programa ao vivo. Foram quase 20 minutos de conversa, com muitas perguntas e comentários dos ouvintes via facebook. O tema do dia – escola – gerou muito debate e relato de histórias.
Na conversa final sobre o dia, eles ficaram surpresos pelo tamanho do programa. Destacaram que foi muito gostoso fazer o programa, que nem parecia que estavam no rádio, nem sentiram que falaram tanto tempo…
Também falaram que foi mais fácil fazer o programa essa semana, porque escolheram um tema que conhecem muito, que tinham muito o que dizer. Apontaram que se sentiram seguros de falar, inclusive críticas sobre a escola. Mais uma vez disseram que “é muito legal” o contato com os ouvintes, e ficaram surpresos que tiveram um ouvinte de Tefé – AM.Retomando a conversa inicial do dia, o grupo disse que ter se ouvido fez com que repensassem o jeito de falar, de organizar suas ideias e o conteúdo.Combinamos para a próxima semana, que não teremos rádio ao vivo, eles se encontrarão para fazer o roteiro do programa do dia 25/04. Desse jeito, terão bastante tempo para estudar sobre o tema escolhido , inclusive, se quiserem, organizar entrevistas.Ouça o programa

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